Historicamente, os números complexos começaram a ser estudados graças à
grande contribuição do matemático Girolamo Cardano (1501-1576). Esse
matemático mostrou que mesmo tendo um termo negativo em uma raiz
quadrada era possível obter uma solução para a equação do segundo grau: x
2
– 10x +40 = 0. Essa contribuição foi de grande importância, pois até
então os matemáticos não acreditavam ser possível extrair a raiz
quadrada de um número negativo. A partir dos estudos de Girolamo
Cardano, outros matemáticos estudaram sobre esse impasse na matemática,
obtendo uma formalização rigorosa com Friedrich Gauss (1777-1855).
O conjunto dos números complexos é o conjunto que possui maior
cardinalidade, afinal ele contém todos os outros conjuntos. É
necessário, pois, compreender os processos das operações (aritméticas,
trigonométricas, algébricas) envolvendo elementos desse conjunto, assim
como a representação geométrica dos números complexos.
Portanto, nessa seção serão abordados assuntos como: concepções básicas
do número complexo, operações aritméticas com números complexos,
operações trigonométricas com os números complexos, o Plano de
Argand-Gauss, entre outros artigos que se relacionam com os números
complexos – números de grande importância e aplicabilidade.
Por Gabriel Alessandro de Oliveira
Graduado em Matemática
Equipe Brasil Escola
Os números complexos são escritos na sua forma algébrica da seguinte
forma: a + bi, sabemos que a e b são números reais e que o valor de a é a
parte real do número complexo e que o valor de bi é a parte imaginária
do número complexo.
Podemos então dizer que um número complexo z será igual a a + bi (z = a + bi).
Com esses números podemos efetuar as operações de adição, subtração e
multiplicação, obedecendo à ordem e características da parte real e
parte imaginária.
Adição
Dado dois números complexos quaisquer z1 = a + bi e z2 = c + di, ao adicionarmos teremos:
z1 + z2
(a + bi) + (c + di)
a + bi + c + di
a + c + bi + di
a + c + (b + d)i
(a + c) + (b + d)i
Portanto, z1 + z2 = (a + c) + (b + d)i.
Exemplo:
Dado dois números complexos z1 = 6 + 5i e z2 = 2 – i, calcule a sua soma:
(6 + 5i) + (2 – i)
6 + 5i + 2 – i
6 + 2 + 5i – i
8 + (5 – 1)i
8 + 4i
Portanto, z1 + z2 = 8 + 4i.
Subtração
Dado dois números complexos quaisquer z1 = a + bi e z2 = c + di, ao subtraímos teremos:
z1 - z2
(a + bi) - (c + di)
a + bi – c – di
a – c + bi – di
(a – c) + (b – d)i
Portanto, z1 - z2 = (a - c) + (b - d)i.
Exemplo:
Dado dois números complexos z1 = 4 + 5i e z2 = -1 + 3i, calcule a sua subtração:
(4 + 5i) – (-1 + 3i)
4 + 5i + 1 – 3i
4 + 1 + 5i – 3i
5 + (5 – 3)i
5 + 2i
Portanto, z1 - z2 = 5 + 2i.
Multiplicação
Dado dois números complexos quaisquer z1 = a + bi e z2 = c + di, ao multiplicarmos teremos:
z1 . z2
(a + bi) . (c + di)
ac + adi + bci + bdi
2
ac + adi + bci + bd (-1)
ac + adi + bci – bd
ac - bd + adi + bci
(ac - bd) + (ad + bc)i
Portanto, z1 . z2 = (ac - bd) + (ad + bc)i.
Exemplo:
Dado dois números complexos z1 = 5 + i e z2 = 2 - i, calcule a sua multiplicação:
(5 + i) . (2 - i)
5 . 2 – 5i + 2i – i
2
10 – 5i + 2i + 1
10 + 1 – 5i + 2i
11 – 3i
Portanto, z1 . z2 = 11 – 3i.
Por Danielle de Miranda
Graduada em Matemática
Conjugado de um Número Complexo
O conjugado de um número complexo

é o número complexo

.
Observe que tanto
z, quanto o seu conjugado
possuem a mesma parte real, mas as partes imaginárias são opostas.
Quando ambas as partes, real e imaginária, são iguais, os números também
o são. A igualdade só ocorre nestas condições.
As raízes imaginárias
x1 e
x2 da equação
x2 + 2x + 5 = 0, solucionada mais acima, são conjugadas uma da outra:
Divisão de Números Complexos
A divisão de números complexos é realizada multiplicando o dividendo e o divisor pelo
conjugado do divisor.
Observe no último exemplo de multiplicação acima que ao multiplicarmos o
número imaginário 5 + 8i pelo seu conjugado
5 - 8i obtivemos como resultado o
número real 89.
A multiplicação de um
número imaginário pelo seu
conjugado sempre resulta em um
número real e isto pode ser utilizado para realizar a divisão de números complexos.
Agora vejamos este exemplo de divisão:

Para começar vamos multiplicar o divisor e o dividendo pelo conjugado do divisor como explicado acima:

Para realizar o produto no
denominador vamos recorrer aos
produtos notáveis, mais especificamente ao
produto da soma pela diferença de dois termos, onde temos que:

Continuando o processo da divisão temos:

Note que inicialmente tínhamos o divisor imaginário
2 - 7i e no final temos o divisor real
53. É por isto que utilizamos o
conjugado como expediente para realizar a divisão, assim conseguimos transformar um
divisor imaginário em um
divisor real, o que facilita muito as coisas, como pudemos ver na passagem do penúltimo para o último passo.
Exemplos da Divisão de Números Complexos







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Texto da Faculdade de Coimbra:
Que importância têm os números imaginários na nossa vida?
Apesar de se provar a
existência dos números complexos, eles continuam a ser estranhos para nós, pois
têm menos relação com o mundo real que os outros números já nossos conhecidos.
Um número imaginário não serve para medir a quantidade de água num copo nem
para contar o número de dedos que temos!
No entanto, existem
algumas medidas no nosso mundo onde os números imaginários são medidores
perfeitos. Um campo electromagnético é um exemplo: tem uma componente eléctrica
e outra magnética e por isso, é preciso um par de números reais para o
descrever. Este par pode ser visto como um número complexo e encontramos,
assim, uma aplicação directa na Física, para a estranha regra da multiplicação
de números complexos.
Existem poucas aplicações
directas dos números complexos no dia-a-dia. No entanto, há muitas aplicações
indirectas.
Muitas propriedades dos números reais só se tornaram conhecidas quando estes
foram vistos como parte do Conjunto dos Números Complexos.
É como tentar perceber uma
sombra.
Uma sombra pertence a um mundo a duas dimensões. Portanto, só lhe é aplicável
conceitos que utilizem duas dimensões.
No entanto, pensarmos no objecto de três dimensões que a provoca poderá
ajudar-nos a perceber certas propriedades do mundo a duas dimensões, apesar de
não haver aplicação directa de um mundo no outro.
Da mesma forma, mesmos não
existindo aplicação directa entre o mundo real e os números complexos, estes
poderão ajudar-nos a compreender muita coisa do nosso mundo.
A próxima analogia ajudará
a perceber melhor.
Consideremos a População A
com 236 pessoas, das quais 48 são crianças e a População B com 123 crianças em
1234 pessoas.
Efectivamente, 48/236 (aprox. 0,2) é maior que 123/1234 (aprox.0,1). Portanto,
a Pop. A é mais nova que a Pop. B.
Neste exemplo são usadas
fracções, números não inteiros, num problema onde não têm significado físico.
Não podemos medir populações com fracções; não podemos ter meia pessoa, por
exemplo! Os números que têm ligação directa com esta questão são os naturais.
As fracções, neste
contexto, são tão estranhas como o são os complexos na maioria das medições do
mundo real.
No entanto, o seu uso servir-nos para melhor entender uma situação do mundo
real.
Da mesma forma, o uso dos
complexos ajuda-nos a compreender vários acontecimentos que, directamente, só
se relacionam com os números reais.
Por exemplo, em
Engenharia, é usual ter de se resolver equações da forma y'' + by' + cy = 0,
para a função desconhecida y.
Uma forma de resolver passa por achar as raízes do polinómio, em r, r2 + br
+ c = 0. Mas, sucede diversas vezes não conseguirmos achar raízes reais e só
encontramos complexas. O que se faz é achar todas as raízes no conjuntos dos
números complexos e depois considerarmos apenas aquelas que, afinal, são reais.
No início e no fim só consideramos reais mas, pelo meio os complexos foram
precisos.
Uma vez que este tipo de
equações (chamadas Equações Diferenciais) surgem constantemente em
problemas que representam o mundo real, por exemplo em Engenharia, podemos
afirmar que os números complexos têm utilidade na nossa vida.